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Autorresponsabilidade não é apenas caráter, é abrir olhos que estavam cegos

Olá,



Hoje, a Crys irá contar uma história que vai te ajudar a entender o primeiro passo de qualquer e grande transformação.


Muito se ouve falar acerca da autorresponsabilidade. Então, antes de continuar a ler, pára sinceramente e escreve para você o que é autorresponsabilidade e, considerando que a sua definição fosse a nota 10, numa escala de 0 a 10, qual nota você se daria hoje, neste momento?

Se achar interessante, partilha conosco o seu conceito, além de podermos crescer juntos, tudo o que a gente coloca para fora do nosso campo tem mais força na nossa vida. Tudo!


Vamos lá: irei trazer a autorresponsabilidade através da vivência e não dos conceitos. Nós tivemos uma grande cliente, com um potencial mágico, mas que estava sendo preterida pelo chefe, nitidamente. Por mais que ela se esforçasse, as ideias dela não prosperavam. Ainda assim, ela ficava a frente de grandes projetos da sua empresa, porém, na hora de apresentar, ela era obrigada a passar o material produzido para um colega de trabalho, que acabava levando todos os créditos.

Obviamente, ela começou a se enfurecer e a reclamar do colega, porque achava que o colega não estava sendo honesto com ela, com o trabalho, que ele deveria enfrentar o chefe autoritário e injusto. Ah o chefe... o chefe então... ela já entrava na sala dele sabendo que o pior viria de lá. E adivinha? Vinha mesmo. E, às vezes, vinha até pior do que o pior que ela havia imaginado. Ela começou a sofrer cortes salariais, boicotes e até uma tentativa de retirá-la da empresa.

O engraçado é que, de algum modo, todos sabiam que as entregas delas eram boas, mas faltava algo. Havia uma grande lacuna na relação com os colegas e com o chefe.

A pandemia veio e aquele caos foi o início da transformação dela. Eles começaram a trabalhar home office, o chefe começou a dar prazos cada vez mais curtos para ela e mais adequados aos colegas e a tensão aumentou de forma surreal.

Foi neste cenário que iniciamos o trabalho. Ela começou a orar, a buscar vídeos para entender o que estava acontecendo e chegou ao trabalho de autoconhecimento. Nos primeiros encontros, ela foi desabafando, colocando para fora como uma enxurrada todas estas reclamações, de como o chefe era injusto e os colegas não a apoiavam. Ela se sentia traída, subjugada, perseguida.

Mas o trabalho continuou e, aos poucos, ela foi cedendo. O trabalho de voltar para si, de olhar para si, deixar o do outro com o outro, foi sendo realizado: não temos autonomia para mudar o outro, mas temos um poder incrível para atuar em nós mesmos.

Até que em um dos encontros, num trabalho de reescrever a história somente na primeira pessoa, sem tratar do outro e só de si, ela desabou em lágrimas.

Ela, finalmente, enxergou que havia criado uma resistência com o chefe e com os amigos e que, independente do erro deles, ela havia se tornado reativa e parou de servir com o coração.

Ela, quando baixou a guarda, viu que eles estavam se comunicando de forma diferente. O chefe dela não a compreendia e se entendia melhor com os colegas dela. Parou de atribuir ao fato deles serem homens, parou de atribuir a perseguição e entendeu que, dentre todas as varáveis, existia de fato uma lacuna na comunicação dela.

Também assumiu que, por ter criado uma mágoa dos colegas, começou a não ajudá-los e a não participá-los dos trabalhos em conjunto. Ela parou de servir.

Perceba que ela, na fase inicial, atribuía culpa do que estava ocorrendo com ela à equipe e se colocou no papel de vítima.

"Ah, mas se o problema é de comunicação, meu chefe que tem que se adaptar! Meus colegas tem que mudar para ficar ao meu lado."

Seria lindo se fosse assim. Mas uma frase antiga "o mundo não pára para você!"

Ela poderia continuar desejando que os outros mudassem ou poderia fazer a parte dela.

Quer sair da empresa? Não.

Você pode mudar de chefe? Não.

Você pode mudar de colegas? Não.

Você pode tornar sua vida mais leve? Pode? Então faz!


E foi muito transformador. Fizemos um trabalho identificando que a comunicação entre eles estava ruim e que a forma dela se expressar poderia ser melhorada para fazer sentido para o chefe. Ela estudou o perfil do chefe e a forma de se comunicar e como estruturar o trabalho, as mesmas ideias, para um método que fizesse sentido para ele.

Tudo isso sem precisar ir para barzinho com a equipe, levar presente ou ter que se tornar "a melhor amiga" dele.

Quanto aos amigos, ela adotou uma postura empática, entendendo que eles não eram contra ela, apenas não queriam comprar uma briga que não era deles. Para eles, não fazia sentido e eles não tinham competência, habilidades suficientes para ler o cenário e ajudá-la da forma correta. Eles não tinham, assim como ela, entendido o problema.

Com tudo isso, a relação deles virou um mar de rosas? Não. Mas ela tirou o peso das costas, assumiu uma postura mais dona de si, lidou melhor com o chefe, que passou a se surpreender com as entregas e, neste novo cenário. ela nunca mais precisou que um colega dela assumisse seus trabalhos.

Não parou mais de estudar sobre como se aperfeiçoar, como trabalhar a comunicação e outras habilidades de interrelação pessoal.

Isso é autorresponsabilidade.

"Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado.
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado.
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra."
São Francisco de Assis

Agora sim, iremos para o conceito de autorresponsabilidade: a capacidade de assumir o controle sobre aquilo que acontece com a própria jornada. Para tanto, parar de se posicionar como vítima, pensar na "culpa" dos outros, parar de julgar os outros, parar de reclamar ou de tentar justificar seus próprios erros. Focar no que está sob seu controle, aquilo que pode sofrer sua intervenção.


Dinâmica: pegue um copo com água e coloque uma colher cheia de sal. Tente beber. Intragável, não é mesmo?

Então, tente tirar o sal da água. Você pode até ficar esperando ele decantar (se depositar no fundo do copo) para tirar a água. Mas provavelmente, além de esperar muito tempo, a água continuará contaminada pelo sal.

Experimente adicionar mais água. Tanta água quanto necessário para que aquela quantidade de sal já não faça diferença. Por exemplo, derrame este copo de água na piscina e experimente a água novamente. O mesmo ocorre com a autorresponsabilidade.


Quando você decide expandir sua mente, o sal que te incomodava se torna irrelevante na sua jornada.

Maíra Galindo, Consultora de Projetos e Personal Project

 
 
 

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